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Percurso Patrimonial das Cimalhinhas  

percursoO Percurso das Cimalhinhas conduz-nos a uma visita a épocas remotas. Desde a Idade do Bronze aos primórdios da Idade Média. Vestígios do passado em Carregal do Sal, um concelho com um vasto património arqueológico. Testemunhos de civilizações ancestrais que importa conhecer.

O Percurso Patrimonial das Cimalhinhas, em Carregal do Sal, é um projecto local de salvaguarda, valorização e musealização do património arqueológico que visa preservar e recuperar testemunhos do passado.

No âmbito do trabalho desenvolvido, diversos monumentos estão hoje musealizados e abertos a visitas. Neste percurso, passamos pelos mais significativos.

Ao percorrer o circuito poderá visitar as sepulturas escavadas na rocha do lugar do Passal, bem como a necrópole medieval. No conjunto perfazem um total de onze túmulos rupestres, um dos testemunhos materiais mais significativos de práticas funerárias e um dos vestígios mais marcantes da mentalidade do homem face à morte na alta Idade Média.

Campa da Moira
A Campa da Moira, assim denominada pela tradição popular, é um pequeno afloramento granítico, localizado a cerca de 150 metros da Lapa da Moira, que se destaca por dois fenómenos naturais resultado da erosão.

O seu significado e valor patrimonial são atribuídos a pequenas covinhas escavadas na superfície que, segundo alguns investigadores, poderão remontar a um período indefinido na Idade do Bronze, II milénio antes de Cristo (mais ao menos 1800/700aC).

No concelho existem vários vestígios semelhantes e trata-se de um tipo de arte que poderá estar associada a determinados rituais ou manifestações de culto, aceitando-se que o local poderá ter correspondido a um espaço sacralizado.

Lapa da Moira
A Lapa da Moira ou inscrição rupestre de Cabanas de Viriato é um dos vestígios do período romano mais importante deste percurso.

Trata-se de um penedo ancestral destacado na paisagem que ostenta sobre a sua concavidade, em forma de pala, a seguinte inscrição: VIIGIITO TVSGI (filio) / CALVMIIDI (…)

A leitura documenta um indivíduo identificado à maneira indígena, usando o antropónimo de Vegetus em dativo como nome único, seguido do patronímico Tusgus, em genitivo.

A identificação desta estrutura onomástica de tipo peregrino e a frequente ocorrência de Vegetus e Tuscus/Tuscus em meios indígenas levam os historiadores a admitir que Vénus e o seu pai Tusgus sejam oriundos do estrato indígena.

Por outro lado, existe a possibilidade de esta inscrição poder documentar uma dedicatória funerária a Vegetus, dado existirem algumas situações paralelas em território nacional que se identificam como tendo uma função de cariz funerário.

Para Nordeste e a pouca distancia da Lapa da Moira existe o sítio arqueológico de Chãs, que tudo indica corresponder a uma villa romana e na qual foi descoberta, na década de setenta, uma exuberante lápide funerária em mármore, datável de finais do Século I/início do Século II, que, apesar de incompleta, documenta uma indígena de nome Albune.

Documenta que ali viveu e faleceu um casal de proprietários, cujo padrão de riqueza se pode deduzir pela exuberante decoração da lápide, e também o processo de aculturação das populações autóctones que paulatinamente iam adoptando hábitos da civilização romana.

Sepulturas Escavadas na Rocha
Admite-se que as sepulturas escavadas na rocha não tenham constituído um modelo exclusivo de inumação, mas terão também coexistido com outras modalidades de enterros, feitos directamente na terra ou dentro de um “caixão” estruturado com pedras ou telhas, como seria de tradição tumular anterior.

Os túmulos rupestres localizam-se muitas vezes em lugares destacados na paisagem, escavados em lajes graníticas de pequena elevação e, não raras vezes, próximas de caminhos muito antigos, da época romana ou medieval, que estabeleciam a ligação entre aldeias ou casais rurais de origem romana.

Muitas das sepulturas aparecem viradas para o Oriente, devido à crença cristã de que Deus apareceria a Oriente no Dia do “Julgamento Final”.

Necrópole Medieval do Passal
Constituída por um agrupamento ou conjunto de cinco sepulturas rupestres, de planta antropomórfica, orientadas sensivelmente a Sul, cuja implantação se distribui por dois afloramentos graníticos, ficando uma isolada, com 1,82 m de comprimento, e as restantes quatro num outro afloramento que dista cerca de 5 metros para Este.

Sepultura Geminadas 1 do Passal – núcleo de duas sepulturas rupestres, de configuração antropomórfica, orientadas a Este, podendo corresponder à inumação de um casal adulto.

Sepultura 2 do Passal – sepultura antropomórfica, inédita, implantada num pequeno afloramento granítico, no lugar do Passal a cerca de 60 metros para Sul da sepultura anterior. Terá sido destinada à inumação de um indivíduo jovem ou de mulher.

Sepultura Geminada 2 do Passal – núcleo de duas sepulturas rupestres, inéditas, de planta antropomórfica, implantadas num pequeno afloramento granítico, no lugar do Passal, com orientação a Norte. A sepultura de maiores dimensões mede 1,82 m e a mais pequena 1,77 m. Possui um separador central, em forma de meia cana, que eventualmente serviria para evitar a entrada de águas pluviais para o interior dos túmulos, depreendendo-se que estes terão recebido um casal adulto.

Palheiras e Eiras da Laje Grande
Constituem um aglomerado ou agrupamento de construções toscas e utilitárias, de cariz ou estrutura social comunitária, memórias e traços de um passado recente (pós medieval), ligado a um sistema de vida marcadamente rural.

A sua conservação e fisionomia etnográfica reconstituem a faina ou lides que nos remetem para episódios como os de malhar o milho, trigo e centeio e rituais da vida do campo, cujas raízes e vicissitudes históricas são ainda lembradas.

Nas lavras efectuadas a toda a área envolvente foi possível identificar e recolher, ao nível da superfície lavrada, várias cerâmicas fragmentadas de construção e uso comum, doméstico, não sendo de excluir a possibilidade, de neste local ou em área próxima ter existido um povoamento inicial de origem romana ou medieval.


 
 
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